Se não fosse pela cor e pelo berço,
Clara Ghimel poderia ser facilmente confundida com uma legítima "Dama Negra de New
Orleans". Mas ela é branca, loura, tem um belo par de olhos azuis e é baiana. Além de possuir uma voz poderosa e personalidade marcante, suas performances lembram as maiores divas da música norte-americana. Com interpretações fortes e originais, Clara Ghimel destaca-se como a única blueswoman no Brasil, possui dois discos gravados e foge totalmente ao estereótipo axé-pagode que costuma influenciar a música na Bahia.
Autodidata na área musical e socióloga de formação, a artista iniciou sua carreira quando ainda estudante universitária. Conquistou o prêmio Troféu Caymmi como "Intérprete Revelação" em 1990, e em 92, juntou-se a Daniela Mercury para produzir e realizar um show em homenagem a Elis Regina. No ano seguinte, conhecida por suas performances nos bares de Salvador, foi convidada para participar de três faixas do CD Break Out, do cantor jamaicano, Jimmy
Cliff, que chegou a ser indicado ao Grammy.
Em 97, lançou seu primeiro CD, Every Night Of The Week
(Movieplay), produzido pelo bluesman paulistano André Christovam e uma faixa interpretada em dueto com a vibrante Rosa
Marya. Este disco inaugurou o selo Brazilian Blues e, desde então, não parou de tocar na BBC de Londres.
Aliou-se em 98 ao produtor e guitarrista paulistano Alexandre Fontanetti - que traz em sua bagagem trabalhos com artistas consagrados, como: Rita Lee, Zélia
Duncan, Guiilherme Arantes, entre outros - o que resultou em Old Poster, um álbum moderno com fusões de rock, pop e blues com ritmos e canções brasileiras.
Old Poster traz 11 músicas selecionadas por Clara Ghimel e Alexandre Fontanetti, produtor musical do disco. Destas, três são composições da própria cantora, que também não teve medo em transformar em blues músicas como Troca-Toca, de Rita Lee, I don´t wanna talk about it, de Danny Whitten, e Deixa sangrar, de Caetano Veloso que conta com a participação da cantora, também baiana, Vania Abreu. O CD traz ainda uma versão bem particular de Norwegian wood, de John Lennon e Paul McCartney, e God bless the child, que ficou famosa na voz de Billie Holiday. Tudo isso com gravações que contaram com microfones originais dos anos 50, fase áurea do blues norte-americano, e com arranjos tocados com um violão Martin, de 1910. "É um disco bluesy com muitas histórias para contar".
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